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Economia e conhecimento na autoconstrução
de painéis solares

Além de a energia vinda do sol ser grátis e limpa, quem quiser usufruir dela pode economizar na realização de seu sistema de captação. Muitos coletores solares para aquecimento de água podem ser fabricados pelos próprios usuários, através de projetos simples e baratos. Buscamos dois exemplos, um no Brasil outro na Itália, de associações que ministram cursos sobre autoconstrução de sistemas termossolares.

No Brasil, pesquisadores filiados à Sociedade do Sol - ONG socioambiental atuante no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (USP) – desenvolveram modelos de aquecedores solares para populações de baixa renda com custo máximo de R$ 200,00. A pesquisa foi adaptada às condições meteorológicas, habitacionais e aos usos dos brasileiros. Segundo a sociedade, o projeto leva em conta a constante presença do sol e as temperaturas médias diárias altas (o que permite o uso de coletores simples), a existência das caixas de água, a difusão do chuveiro elétrico e o hábito de amplas camadas da população de construírem suas próprias casas, barateando a produção de moradias e minimizando custos industriais.

O modelo mais conhecido, Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC), funciona com coletores solares e reservatório térmico. Os coletores são feitos pelo usuário a partir de um material denominado forro alveolar (divisórias PVC), contando com reservatório térmico de caixa de água, isolado com materiais disponibilizados pela Sociedade do Sol a custo zero. Este modelo aquece de 150 a 250 litros de água por dia a uma temperatura de 45 a 55 graus, com preço final variável de R$ 100,00 a R$ 200,00 por unidade familiar.

Outro modelo, destinado à população rural carente, custa apenas R$ 15,00 e é resultado de cinco anos de tentativas de simplificar e baratear custos. Esse sistema aquece de 150 a 200 litros de água por dia, a uma temperatura de 35 a 48°C, dependendo da latitude de sua aplicação.

A Sociedade do Sol disponibiliza gratuitamente no seu site (www.sociedadedosol.org.br) um manual de instruções de manufatura e outro com dúvidas e sugestões. Os documentos são destinados à montagem e à instalação de aquecedores experimentais em ambiente familiar, por cooperativas, mutirões, sem objetivo de produção em escala industrial para comercialização.

O projeto é desenvolvido desde 1999 e tem como objetivo a disseminação da tecnologia termossolar para todo o território brasileiro e para países de clima tropical ou nações que queiram utilizar tecnologia intermediária para aquecimento de água.

Na Itália, o grupo Rete Solare per l’Autocostruzione é formado por organizações e pessoas que se propõem a difundir a tecnologia termossolar através de sua autocontrução. As atividades do grupo começaram em 2001, a partir de um projeto europeu desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiente Itália, em colaboração com um grupo austríaco de autoconstrução de coletores solares. Em 2004, o projeto foi adotado pela Cooperativa Elekos, de Milão, e apartir de 2006 foi criada a associação Rete Solare per l’Autocostruzione.

No modelo italiano, os custos são bem mais altos que no brasileiro, o que se explica pela diferença de materiais utilizados. No Brasil, como faz calor na maior parte do ano, os coletores solares da ONG Sociedade do Sol são bastante simples, feitos com materiais baratos, como canos e divisórias de PVC. No caso italiano, os painéis são construídos com vidro especial solar e cobre, um reservatório e um circuito especial que liga o painel ao reservatório. 

O grupo organiza cursos de autoconstrução e demonstrações públicas. A rede propõe ainda projetos específicos como o Cidades para a Autocontrução, no qual a associação oferece a prefeituras uma série de cursos demonstrativos e realizativos, encontros com a população e orientações sobre projetação e simplificação de práticas de construção. Composta por engenheiros e arquitetos, a rede oferece atividades de projetação sustentável, análises de eficiência energética e sobre a implantação de sistemas solares. “Um sistema autoconstruído para um família de três a quatro pessoas custa de 2 mil a 2,5 euros. Metade do que custa comercialmente”, explica o engenheiro Bruno Tommasini, da Rete Solare per l’Autocostruzione.  

De 2004 até hoje, foram instalados mil metros quadrados de painéis autoconstruídos na Itália. Mais de 4400 pessoas já participaram dos cursos e demonstrações públicas organizados pela rede. De acordo com Tommasini, os participantes dos cursos são pessoas que querem fazer seu próprio sistema termossolar, economizando e adquirindo conhecimento sobre a instalação; simples curiosos que buscam entender mais sobre energias renováveis; e técnicos hidráulicos que procuram formação específica.